Adaptação: como a mudança de hábitos pode salvar (e mudar) vidas

Uma visão sobre as tendências do mundo pós-COVID-19 e o uso da tecnologia como ferramenta no processo de adaptação física e social.


Quando a sociedade se encontra em uma situação de emergência, uma lupa é colocada sobre todos os problemas que a assolam: desigualdade social, econômica, de gênero, etc. A epidemia que se transformou em pandemia atinge a todos sem precedentes e a sobrevivência advém de uma palavra: adaptação. Junto com essa palavra surge o sentimento de incerteza ou insegurança pelo que nos espera, o que pode ser acalmado pelo esclarecimento do que passamos.


Muitos dos hábitos pós-COVID-19 estão sendo inseridos agora durante o período de quarentena e ainda podem ser considerados novos, mas a tendência é que eles se mantenham quando esse momento acabar, pois teremos naturalizado esses comportamentos e adentrado em uma nova dinâmica de relação com o mundo. A principal tendência que permeia nossas ações é a digitalização delas, se antes nos reuníamos presencialmente com nossos amigos, agora o fazemos por meio de chats online, e o mesmo se repete nas demais esferas: trabalho, família, saúde e educação.


É uma tendência continuarmos buscando meios de manter nossas relações mesmo que de maneira distante fisicamente, o que não seria possível sem a tecnologia digital. Na ocasião em que nos encontramos, progressivamente enxergamos o mundo digital como uma alternativa para adaptação física e social pela suspensão, mesmo que momentânea, do contato e da mobilidade, reforçando nossa atenção para segurança dos nossos dados, por estarmos em maior atividade na rede. Se antes tínhamos receio de fazer compras online, agora somos impostos a essa atividade, principalmente no que diz respeito ao ramo alimentício e delivery (entrega em casa).


Uma das tendência que vêm surgindo na educação antes mesmo da pandemia é o sistema EAD (Ensino a Distância), o qual é habilitado por lei para conceder o acesso à educação para as pessoas que antes não tinham condições de frequentar presencialmente uma instituição de ensino através do computador. A modalidade que iniciou para o ensino superior, hoje está presente também no Ensino Médio e nos preparatórios para o vestibular e vêm aprimorando as plataformas de acesso ao conteúdo das aulas online, ou videoaulas, tanto para professores como para os estudantes.


Contudo, EAD não é o mesmo que Ensino não Presencial, o qual consiste em uma alternativa utilizada pelas escolas durante a pandemia para manter as atividades por meio de videoaulas, particularmente no ensino fundamental II (5º a 9º ano). Essa opção não é permanente, pois quando o regime de isolamento acabar as aulas retornarão, mas ela pode apontar uma tendência no ensino a partir da divisão das tarefas: em classe e individual. Gradativamente a tecnologia mostra a tendência de se manter presente a fim de orientar formas seguras e adequadas de utilizar o computador e a internet, assim como se informar e evitar fontes de informação duvidosas e que possam culminar em uma “fake news” - notícias com conteúdo falso.


Nesse sentido, a distribuição deliberada de fake news também é algo que cresce junto com a digitalização das relações. Algumas delas envolvem o vírus e têm circulado na internet. A disseminação desses boatos pode ser interpretado como sinais de disputas ideológicas que ocorrem no mundo, como também o modo que as pessoas estão lidando com esse problema, isto é, como uma resposta ao medo que estão sentindo.


Por isso, junto com as tendências mencionadas aqui, outra consiste na procura por fontes legítimas de informação, e contribuir para dar inteligibilidade aos fatos que atravessam a nossa sociedade, tal como a COVID-19. Algumas medidas podem ajudar como: conferir se o link da informação é verdadeiro, se for um site; ver a data da notícia, afinal pode ser apenas uma notícia antiga; checar em veículos consagrados de informação, como jornais e sites de órgãos governamentais.


Assim como o COVID-19 nos atinge de maneira clara, a resposta para contê-lo é nítida também: quarentena. Todos os países afetados aderiram a essa medida, cada um à sua maneira, seja por gênero, seja por idade ou qualquer outro método, o que permanece comum até o momento é o “jump”, ou salto da digitalização que o mundo vive hoje, e como essa tecnologia nos afeta em múltiplos sentidos, individual e socialmente.












Ana Ranna, mestranda em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em Cidadania e Identidade Digital do TEC.




Referências


ARAUJO, Marcella. (2020), "Esboço de crítica do discurso de 'guerra contra o coronavírus". Horizontes ao Sul.


FONTES, Bárbara de Souza. (2020), "Como voltar para a escola após a pandemia?". Horizontes ao Sul.


KENDRICK, Karen. (2020), "É para isso que serve a Sociologia?" Horizontes ao Sul.



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