GERAÇÃO APRENDER A APRENDER

Como um ensino autônomo pode influenciar e mudar perspectivas de vida dos alunos e professores


“Ensinar é algo mais que um verbo transitivo relativo. Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa, e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. (...)” (FREIRE, 2013)

Vivemos um tempo em que a educação está passando por um período muito difícil. Nesta pandemia, professores e estudantes estão à mercê dessa nova situação, já que não sabemos até quando irá durar. É, de fato, um período nunca vivenciado ou experimentado por qualquer um de nós: professores precisando se reinventar, aprendendo a manusear ferramentas e recursos tecnológicos do dia para noite, estudantes se adequando a esse novo meio e às aulas virtuais. E tudo isso dentro de casa!


Estamos passando por um momento em que precisamos aprender a aprender!



Aprender a aprender? Como assim?


Somos forçados a construir, em um passe de mágica, um novo sistema de educação, um sistema de ensino não presencial, para que possamos respaldar a saúde de toda a nossa comunidade acadêmica.

Esse ensino não presencial é bastante desafiador, pois mexe com toda estrutura e rotina familiar, visto que, de certa forma, todos os integrantes da casa precisam encarar uma nova organização – tanto em relação aos seus empregos, como em relação aos estudos dos seus filhos.

Ensinar a esses meninos e meninas a terem mais autonomia nesse momento de crise se torna uma tarefa fundamental, para que no futuro eles se tornem adultos mais engajados e capazes de lidar com situações extremas e difíceis.


O esforço de ambos os lados


Os educadores desse momento possuem uma tarefa primordial, diária e exaustiva. Sua tarefa docente não se resolve em meramente ensinar e passar os conteúdos, mas sim em ensinar aos seus alunos a pensarem de forma correta, de maneira crítica e mais autônoma. Assim, “educação” e “formação humana”, como diz Saviani (2015, p. 126), são termos sinônimos que devem andar lado a lado. O professor não deve só transferir conteúdos e conhecimentos e sim ensinar aos seus alunos a serem protagonistas do seu próprio aprendizado.

A tarefa dos estudantes, por outro lado, também não é fácil. Ser um estudante autônomo é ir além das aulas, sejam elas presenciais ou não. Os alunos devem ter disciplina, comprometimento, estabelecer objetivos de aprendizagem e um planejamento bem correto sobre o que se quer estudar e desenvolver.


Prós e contras do momento


Há de se ressaltar que nesse momento histórico em que estamos vivenciando existem muitos pontos positivos e negativos. Cabe a todos nós julgar, avaliar e discernir o que será melhor para si e para todos que estão ao seu redor.

Ao pensar nos pontos positivos e negativos, destaco alguns a seguir e justifico os seus motivos:

Podemos ver que com as aulas virtuais os estudantes se sentem mais livres e autônomos para se aprofundar naquele conteúdo que tenham achado mais interessante. Com a internet a seu favor, essa criança ou adolescente pode ir além da proposta lançada pela sua professora ou professor. Se o estudante for curioso, pode navegar na internet em busca de maiores informações sobre as suas perguntas e questionamentos, não precisando ficar sempre a sombra dos conteúdos lançados.

Com os conteúdos lançados on-line, o estudante é levado a criar um ambiente, em sua própria casa, propício ao estudo, com um roteiro e uma rotina a seguir, desenvolvendo um hábito do estudante pesquisador, o que gera independência e responsabilidade para lidar com todo o conteúdo lançado sobre ele.

Sobre os pontos negativos, podemos listar muitos, pois sabemos que, no Brasil, o nosso sistema de internet e tecnologia não são lá dos melhores. Então, teremos estudantes muito engajados e outros não, por infinitos motivos. Vivemos em um país desigual e limitado sobre o acesso à tecnologia, assim, perpetuamos ainda mais essa barreira social.

Por outro lado, com o grande acesso às telas e ao ambiente on-line, esses estudantes podem acabar confundindo os objetivos das aulas virtuais e acreditando que lhe foi dado um acesso livre e direto aos jogos on-line, mas o objetivo real não é esse. Momentos de lazer são muito importantes e imprescindíveis, mas o estudante “gamer” deve ter muito cuidado para não confundir e deixar os estudos de lado.


Dicas valiosas


- Para que possamos focar nos pontos positivos, seguem algumas dicas de incentivo à autonomia em relação aos estudos:


  1. Crie uma rotina leve e saudável de estudos;

  2. Faça pequenas pausas entre uma disciplina e outra, assim o estudante pode descansar olhos e mente;

  3. Tente conversar com alguém sobre o que tem estudado, pode ser com colegas de sala ou parentes, isso ajuda a fixar o conteúdo e ter mais pensamentos críticos;

  4. Procure séries e filmes com os assuntos relacionados aos seus estudos, isso ajuda a ter uma maior percepção do conteúdo;

  5. Procure conversar com seus amigos, mesmo que de maneira on-line, isso ajuda a manter os laços e um momento de descontração.


Nesse momento, temos uma grande escolha em nossas mãos: nos lamentarmos e reclamarmos do momento, que todos nós sabemos que é difícil, ou seguir adiante, adaptando-nos ao que nos é oferecido e criando estratégias para vivermos bem conosco e com as pessoas ao nosso redor. Aproveite esse momento para refletir sobre suas metas, conquistas, erros e acertos: isso pode nos ajudar a sermos seres humanos melhores para a nossa família e comunidade.



Referências:


FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. Saberes necessário à prática educativa. 46º ed- Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.

SAVIANI, D.; DUARTE, N. (orgs.). Pedagogia histórico-crítica e luta de classes na educação escolar. Campinas, SP: Autores Associados, 2015.










Anna Clara Granado

Mestranda em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Supervisora do Ensino Fundamental I e Professora de TEC e LIV da rede PENSI.



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