Cozinha: um laboratório dentro de casa

Atualizado: Mai 14

Cozinhar é uma arte, mas também pode ser uma ciência

Artigo por Juliana Novo


As ciências podem estar em diversos lugares e não somente em laboratórios com equipamentos caros e reagentes perigosos como costumamos imaginar. Na verdade, o dicionário define o laboratório como um local que sirva não somente à produção científica, mas também à produção de artes e ensino.

Pensando no contexto do ensino, as ciências têm uma vocação natural de contextualização, uma vez que muitos fenômenos e processos do nosso dia a dia são explicados por conceitos da química, física ou biologia. A contextualização se apresenta como uma forma de inserção do cotidiano no processo de ensino e aprendizagem que facilita o entendimento de conceitos científicos que de outra forma se apresentariam como complicados ou inalcançáveis para as crianças.


Desta forma, ficamos com a seguinte questão: como podemos ensinar ciências de forma prática e simples para os nossos filhos?


A resposta é fácil pois temos em nossas casas um laboratório à disposição. A cozinha é um dos espaços que se apresentam mais propícios ao ensino de ciências. É comum pensarmos na culinária e na produção de alimentos como uma forma de arte, mas raramente a relacionamos às ciências, sendo que ela permeia cada etapa das transformações que ocorrem desde a produção e preparação de alimentos até à digestão.

Ingredientes facilmente encontrados na cozinha

A cozinha pode ser considerada o primeiro laboratório com o qual temos contato. Nela encontramos uma infinidade de reagentes como temperos, óleos, ácidos (como o vinagre), reagentes biológicos (como o fermento), todos disponíveis para nossas experimentações. Quando misturamos estes ingredientes, os submetemos a diferentes forças mecânicas (ao bater um bolo, por exemplo) ou a diferentes temperaturas, então conseguimos modificar sua aparência, textura e gosto para obter pratos mais saborosos e bonitos. Mas cada uma dessas transformações é definida por reações químicas e conceitos físicos ou biológicos com os quais podemos familiarizar nossas crianças.


Na cozinha também entramos em contato com uma forma muito própria das ciências de registrar e passar adiante os processos de experimentação que são os chamados protocolos. Quando fazemos uma receita, temos ali um passo a passo que deve ser seguido: temos que misturar os ingredientes corretos, em quantidades específicas e esperar por um tempo determinado para obtermos o resultado desejado, ou seja, fazemos um protocolo a ser seguido. Em experimentos científicos esse tipo de registro é muito comum, uma vez que a validação destes experimentos pelos cientistas depende da sua reprodutibilidade, ou seja, que outras pessoas possam reproduzir um experimento exatamente da maneira como foi feito da primeira vez e obter o mesmo resultado.



Foto de beterrabas e o composto responsável por sua cor: a betanina.

Ao cozinhar submetemos os alimentos a diferentes transformações, todas elas possuem uma explicação do porquê acontecerem e cabe a nós engajarmos as crianças a questionarem e buscarem explicações para os fenômenos que ocorrem no cotidiano. Um exemplo é indagar porque a beterraba mancha de roxo nossas mãos, ela tem um composto chamado betanina, um corante natural. Trabalhar de forma concreta com as crianças é a maneira mais eficaz de ajudá-las a construir o próprio conhecimento. É por isso que devemos normalizar espaços do cotidiano como espaços em que sejamos capazes de construir conhecimento e gerar inovação.


E então? Você já levou o seu filho para esse superlaboratório que você tem em casa?

Se ainda não, está na hora de começar!











Juliana Novo, doutora em Biologia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), especialista em biotecnologia do TEC.



Referências

Barros, AA; Barros EBP. A química dos alimentos: Produtos fermentados e corantes. São Paulo, Sociedade Brasileira de Química. 2010.


Golombek, DA [tradução: Eloisa Cerdan]. Aprender a ensinar ciências: do laboratório à sala de aula e vice-versa. São Paulo, Sangari do Brasil: Fundação Santillana. 2009.


BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, DF: Ministério da Educação /Secretaria de Educação Fundamental, 1998.


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Gostou desse conteúdo e quer receber mais? Então, cadastre-se aqui para não perder nenhuma novidade do TEC!


Siga-nos no Instagram e Facebook também!



0 visualização

Siga a nossa hashtag #issoétec

Tunel Lab Academy Educação Consultoria e Comercio de Livros

Rua Conde de Baependi, nº 106 - Laranjeiras - Rio de Janeiro - RJ

CNPJ  24.199.352/0001-86

falecomotec@teceducacao.com.br

© 2019 criado por TEC ( Tecnologias e Experiências Criativas )