O papel da imaginação no desenvolvimento infantil

Atualizado: Jun 23

Desde pequenos, alguns de nós têm a ideia de que a imaginação, assim como a criatividade, é um dom que algumas poucas pessoas possuem. No entanto, é consenso entre muitos estudiosos que, na verdade, essa é uma habilidade que pode e deve ser educada desde a infância. De acordo com Held (1980, p. 46), “a imaginação, como a inteligência ou a sensibilidade, ou é cultivada, ou se atrofia”. Em alguns, a imaginação foi mais "cultivada" e se tornou uma capacidade mais desenvolvida e, em outros, menos, apesar de todos possuirmos em maior ou menor grau.


Se pedirem para que fechemos os olhos e imaginemos a vida do homem das cavernas,

todos formaremos alguma imagem ou cena em nossas cabeças, certo? Essa é a prova de

que todos temos imaginação, já que quando falamos no homem das cavernas, estamos

falando de um passado que ninguém presenciou e estamos lidando com o desconhecido.

Sem a capacidade imaginativa, não seríamos capazes de lidar com o desconhecido,

tampouco seríamos capazes de imaginar soluções para problemas inesperados. Viveríamos

apenas repetindo o passado em um ciclo sem fim, sem qualquer inovação. Quando

combinamos nossas experiências vividas, aquilo que extraímos da realidade, com

elementos da fantasia e da imaginação, criamos infinitas possibilidades.


E de que forma podemos "cultivar" a imaginação nas crianças?


De acordo com Gilka Girardello (2011), o contato profundo com a literatura, a arte e a natureza cria uma condição favorável à imaginação. Mas não basta apenas expor a criança à arte, é necessário que o adulto a conduza um pouco pelo caminho, de forma equilibrada, para que a criança preste atenção em alguns aspectos mais sutis que as artes carregam (como as formas, as linhas, os ritmos e os padrões), e tenha também espaço para construir suas próprias conclusões a respeito da obra.


Ao encontrar o novo (um quadro, uma nova paisagem, um texto) o adulto pode ajudar a criança a enxergar elementos que ela não enxergaria sozinha. Por exemplo, ao levar a criança à praia para ver o mar pela primeira vez, poderíamos contar que lá longe, do outro lado da linha do horizonte, existe uma outra criança na costa da África conhecendo o mar pela primeira vez. Estaríamos explorando ludicamente esse novo encontro e aproveitando para "pintar" novas imagens e possibilidades na imaginação da criança, a auxiliando nessa viagem pelo desconhecido.


Portanto, é necessário que nós também criemos espaço e tempo para a imaginação em nossas vidas, para que possamos enriquecer a vida imaginativa das crianças à nossa volta.

Além de nós, adultos, outro grande ajudante dessa "viagem imaginária" é o livro ilustrado. Nos livros ilustrados, as ilustrações são tão ou mais importantes que o texto. Um bom livro ilustrado tem o poder de facilitar o entendimento daquilo que está sendo contado, além de prender a atenção da criança e ajudá-la no desenvolvimento de sua capacidade imaginativa e lúdica (Andrade, 2013). Através das ilustrações, a criança é capaz de criar imagens mentais e viajar pelo mundo narrado, cada uma com sua própria interpretação do que seria aquele mundo. Por esse motivo, durante a leitura de um livro a criança não pode ser um mero espectador, sua participação deve ser ativa durante a construção da história. Dessa forma, estaremos criando um rico e vasto repertório de experiências imaginativas para as crianças, e estas terão muito mais elementos disponíveis para a criação.


Exemplo de ilustração que ativa imaginação do pequeno leitor - Ilustração de Roger Mello

Sem uma boa capacidade imaginativa, não há uma boa capacidade criativa. Uma está diretamente relacionada à outra. De acordo com Zimmermann e Freitas (2018), "o ato imaginativo faz parte do processo de criação dos elementos que abastecem o mundo real, da mesma forma que elementos desse mundo real servem como ingredientes para novas combinações à imaginação". Sem a imaginação seremos incapazes de criar, inovar e nos re-adaptar, capacidades que são muito importantes em um mundo em constante (e rápida) mudança. A partir da pandemia, isto ficou ainda mais latente. Portanto, enriquecer a vida imaginativa de nossas crianças é também prepará-las para o presente. Você achou que eu ia dizer futuro? O futuro já chegou faz tempo.
















Gabriela Levy, ilustradora da equipe de desenvolvimento do TEC.



Referências ANDRADE, Júlia Parreira Zuza. O papel da ilustração no livro-ilustrado: uma discussão sobre autonomia da imagem. Anais do SILEL, Uberlândia: EDUFU, Volume 3, Número 1, 2013.


ZIMMERMANN, Anelise; FREITAS, Neli Klix. O livro ilustrado e a imaginação: escritor, ilustrador e leitor em uma trama interativa. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 36, n. 1, p. 137-150, jan./mar. 2018.


GIRARDELLO, Gilka. Imaginação: arte e ciência na infância. Pro-Posições, Campinas, v. 22, n. 2 (65), p. 75-92, maio/ago. 2011.



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