Todos podem compor

Atualizado: Jun 30

Um breve guia de como compor música sem conhecimento técnico


A comunicação dos humanos em sua grande maioria é musical, combinando sons com a boca e assim transmitindo ideias. Dessa maneira, podemos dizer que estamos fazendo música todo o tempo sem mesmo perceber.

Há quem diga o contrário, que isso não é música pois não tem intencionalidade, mas esse texto irá tomar a ideia de que a arte também está nos olhos, ou melhor, ouvidos de seu observador, isso sem tirar a importância da intencionalidade.

Antes de começarmos a compor nossa música, primeiro precisamos responder a seguinte pergunta:


O que é preciso para criar uma música?


Muitos irão responder notas musicais, instrumentos, harmonia, melodia ou até mesmo dom. Mas temos exemplos no mundo de músicas criadas sem notas musicais como é o caso de “Fontana Mix” do compositor John Cage, músicas criadas por programação que não se usam instrumentos, músicas de antes do período da idade média que não existia ainda a ideia de harmonia e músicas percussivas como as tribais que não existe uma melodia.

Na verdade, precisamos de só uma coisa para compor música: o som.


O exercício da escuta


Salvo pessoas com deficiência auditiva que, nós educadores, precisamos de uma metodologia específica para trabalhar musicalização, o primeiro exercício para se compor é perceber os sons à nossa volta.

Fechando os olhos por 10 segundos e ouvindo os sons, depois de abrir os olhos, quantos sons conseguem lembrar e anotar em um papel?

Desde pequenos somos bombardeados de estímulos visuais e percebemos o mundo dessa maneira, através dos olhos. Mas será que conseguimos “enxergar” paisagens sonoras tão bem quanto as paisagens visuais?

Nosso ouvido é uma coisa fantástica, pois conseguimos muito mais do que enxergar paisagens sonoras mesmo sem ter conhecimento e anos de prática em música. Por exemplo: quando atendemos ao telefone e a outra pessoa fala alô. Nesse momento, mesmo antes dela falar qualquer outra coisa, só pelo simples alô, sabemos se ela teve um dia bom ou ruim, se ela está cansada ou não, se ela quer contar alguma novidade pra gente... só pela simples mudança de altura da palavra alô.

Então o propósito do exercício da escuta, conseguir guardar paisagens sonoras, é um treino de musicalização constante para conseguirmos distinguir “cores”, “formas” e “tamanhos” nessa nossa paisagem sonora e cada vez mais tornar essa habilidade inconsciente do ouvido, consciente.




O exercício da experimentação


É pela escuta que adquirimos vocabulários, mas temos que experimentar os sons que foram ouvidos, pois não basta só reconhecer, temos que expressá-los. Ouvir e experimentar reproduzir, esse é o processo de aquisição da fala dos bebês que não difere da nossa aquisição da musicalidade, pois quando falamos, produzimos sons com a boca.

E uma ótima maneira de experimentarmos sons é pelo nosso corpo, além da boca, podemos usar outras partes e membros para traduzir nossos nomes em ritmos com palmas, por exemplo, o meu nome é Vitor, quando dividimos as sílabas temos: Vi - tor. Então iremos bater uma palma para cada sílaba, mas temos a primeira sílaba mais fraca que a segunda, portanto teremos duas palmas, uma fraca seguida de uma forte.

O mais importante nesse exercício é as palmas soarem tendo o mesmo tempo e velocidade de quando falamos o nosso nome usando a boca.

Depois de feito isso, podemos tentar com o sobrenome, frases e textos inteiros, traduzindo-os para a linguagem rítmica puramente.



MÃO NA MASSA: O exercício da composição


Então, depois de ouvir e experimentar os sons, o que falta é expor nossas ideias e construir frases que expressem algo que queremos ou que sentimos, e é aí em que a música se difere um pouco da língua e se torna uma linguagem.

A nossa língua consegue passar ideias claras e objetivas, igual a este artigo. Mas a música não consegue isso e só pode passar ideias metafóricas como mais peso ou mais leve, mais definido ou mais abstrato, mas livre ou mais marchado... elas passam sentimentos que nem eles são universais em si.

E para compor uma música basta a gente organizar os sons no tempo, para isso criei a tabela abaixo que é uma forma inicial de partitura e explicarei como funciona.



Os números 1, 2, 3 e 4 são a marcação do tempo, onde cada som será tocado.

As letras A e B, são o nome dos sons (timbres) que serão reproduzidos.

Os espaços em brancos são para serem preenchidos de acordo com a sua vontade de quando o som deve ser tocado.

Vamos olhar uma tabela preenchida como exemplo:



Então na tabela acima estamos usando os timbres de palma e de bater o pé no chão. Tudo começa com a contagem: 1, 2, 3, 4. Ela pode ser feita rápida ou lenta, mas isso irá determinar o quão rápido você terá que executar os sons.

Ao mesmo tempo que dizer “1”, você terá que bater palma, quando dizer “2”, bater o pé no chão, no “3”, bater o pé no chão e no “4”, não fazer nada.

Igual à uma coreografia, mas nesse caso para se fazer música! E como ficaria essa mesma ideia musical executada de maneira triste? Ou alegre? Até mesmo enérgica? Colocando sentimentos, estamos colocando intenções na música que conseguem passar sensações para quem está ouvindo.

E com isso você pode compor músicas simples sem saber teoria ou técnica musical, você pode tentar colocar duas palmas dentro do um, ou três; substituir o “bater o pé no chão” por um “bater uma colher na panela” e assim produzir outros timbres e até mesmo aumentar os números para construir algo mais duradouro!


BÔNUS: Música e tecnologia


Se esse artigo despertou sua vontade de criar e explorar os sons, seguem abaixo duas plataformas online (clique no nome delas para acessar) que tornam a composição musical mais acessível e visual.



Chrome Music Lab: Um site que faz o aprendizado de música mais acessível através de experimentos mão na massa.





The Incredible Box: Site de composição musical através de loops pré-estabelecidos com um sistema de arrastar muito intuitivo.



A composição musical é muito importante, uma aula de música sem a composição musical faz tanto sentido quanto uma aula de português sem produção textual.












Vitor Moreira, professor de música e especialista em Interatividade do TEC.




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